En esta canción de José Afonso hay un aire de cantiga medieval. Una canción de amor, con un toque de saudade a la portuguesa. Del disco Venham mais cinco (1973).
QUE AMOR NÃO ME ENGANA
Que amor não me engana
Com a sua brandura
Se da antiga chama
Mal vive a amargura
Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia?
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito
Muito à flor das àguas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira
Em novas coutadas
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera
Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
Pelo nascer do dia
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito
Muito à flor das àguas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira.
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Un grupo portugués de rock ya casi legendario. Pero aquí dominado por la saudade: "Mar de Outono".
Embarco hoje
Neste mar de outono
Que me tira o sono
Sem saber porque^
O vento cresce
O tempo arrefece
Vai ficando escuro
Neste mar de outono
Navego para longe
À tua procura
Saudade é o vento
Vento da loucura
Da noite tão negra
Será que vale a pena
Soltar a mezena
Neste mar de outono
Já longe navego
Sem saber de ti
Vou seguindo as estrelas
Neste mar sem fim
Ilhas encantadas
Sereias e Fadas
Ficando para trás
Na espuma dos dias
Nesse mar de outono
Onde tu estiveres
Será que te lembras
Será que me queres
Ilhas encantadas
Sereias e Fadas
Ficando para trás
Na espuma dos dias
Nesse mar de outono
Onde tu estiveres
Será que te lembras
Será que me queres
Os dejamos aquí una versión de un villancico portugués tradicional: "Natal d'Elvas", cantado por Maria Ana Bobone, una joven con mucho talento. El tema es la adoración de los pastores: Un pastorcillo dice que tiene que ir al pesebre para ver cómo hació el Niño Jesús, tan pobrecito. El Niño llora y cuando el pastorcillo le pregunta por qué, dice que su madre, la Virgen, le dio un beso y que llora porque quiere que le dé más. En definitiva, sencillez, ternura y un Niño Santo que se presenta humildemente como un niño más.
Eu hei-de me ir ao presépio
E assentar-me num cantinho
A ver como o Deus Menino
Nasceu lá tão pobrezinho.
-Ó meu Menino Jesus /
Que tendes, porque chorais
-Deu-me minha mãe um beijo /
Choro por que me dê mais.
Eu hei-de me ir ao presépio /
E assentar-me num cantinho
A ver como o Deus Menino /
Nasceu lá tão pobrezinho.
Nossa Senhora faz meia /
Com linha feita de luz
O novelo é lua cheia /
As meias são p’ra Jesus.
-Ó meu Menino Jesus /
Que tendes, porque chorais
-Deu-me minha mãe um beijo /
Choro por que me dê mais.
Ana Laíns es una cantante portuguesa de fados que tiene mucho éxito dentro y fuera de su país. Aquí tenéis algunas canciones:
Quatro caminhos
Quatro caminhos abertos
P'ra prever qualquer viagem
Virada p'rós quatro pontos
Dos cardeais das aragens
Quatro caminhos perdidos
Quem sabe até se existiram
Estão no rasto de outros passos
Que deles não se serviram
Quatro caminhos à espera
Do tempo que os vem trazer
Dois foram dados á vida
E outros dois ao morrer;
Quatro caminhos traçados
Aqui na palma da mão
Prevêm vidas e mortes
Dias sim e dias não
Quatro caminhos…
(Ana Laíns-Luís Repressas) (Poema de Fernando Pessoa) Não sei o quê desgosta
Não sei o quê desgosta
A minha alma doente.
Uma dor suposta
Dói-me realmente.
Como um barco absorto
Em se naufragar
À vista do porto
E num calmo mar,
Por meu ser me afundo,
Pra longe da vista
Durmo o incerto mundo.
Mi morena (en español)
Fado das horas
Chorava por te não ver,
por te ver eu choro agora,
mas choro só por querer,
querer ver-te a toda a hora.
Passa o tempo de corrida,
quando falas eu te escuto,
nas horas da nossa vida,
cada hora é um minuto.
Quando estás a ao pé de mim,
sinto-me dona do mundo.
mas o tempo é tão ruim,
tem cada hora um segundo.
Deixa-te de estar a meu lado
e não mais te vás embora
para meu coração coitado
viver na vida uma hora.
Eu
Eu sou a que no mundo anda perdida
Eu sou a que na vida não tem norte
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida
Sombra de névoa ténue e esvanecida
E que o destino amargo, triste e forte
Impele brutalmente para a morte
Alma de luto sempre incompreendida
Sou aquela que passa e ninguém vê
Sou a que chamam triste sem o ser
Sou a que chora sem saber porquê
Sou talvez a visão que Alguém sonhou
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
Roseiral
Meu roseiral
Há uma rosa que floriu de manhã
No pedestal
Há um símbolo duma imagem pagã
Ponho o meu som
A fluír nos horizontes de mim
Sobe de tom
Esta voz que me anuncia o meu fim
Vou sendo assim tal e qual a natrureza me fez
Até que um dia perdido de vez
Eu vá deixar de sonhar;
Vou sendo assim, um peão que julga ser defensor
Num xadrês, onde ser peça menor
Nunca me deu que pensar, desde que eu possa sonhar
Os anos são
Duas asas a bater sem cessar
P'ra onde vão
P'ra algures donde não podem voltar
Algo de mim
Reclama a eternidade do ser
Génio ruím
Que me ganhou na ilusão de me perder
José Afonso es el poeta y cantautor de la Revolución de los claveles (25 de abril de 1974) en Portugal. Su canción más recordada será siempre "Grandola, Vila Morena..." Todo un himno a la libertad.
Aquí os traemos otra canción llena de saudade, dedicada a la "Menina dos olhos tristes" a la que cantó el poeta Reinaldo Ferreira (1922-1959), poema al que José Afonso puso música.
El poema tiene una estructura rítmica que recuerda a las cantigas de amigo: una chica se queja por la ausencia de su amado. Pero, por otro lado, su ausencia se debe a que ha muerto en las absurdas guerras coloniales que Portugal mantenía aún en los años setenta en las colonias africanas de Angola y Mozambique. Guerras y muertes que, por otra parte, están en el origen de la famosa Revolución del 25 de abril de 1974.
El poeta Reinaldo Ferreira fue un gran militante contra el absurdo de la guerra, como demuestre este otro poema suyo, antibelicista y anticolonialista:
Receita para fazer um herói Tome-se um homem, Feito de nada, como nós, E em tamanho natural. Embeba-se-lhe a carne, Lentamente, Duma certeza aguda, irracional, Intensa como o ódio ou como a fome. Depois, perto do fim, Agite-se um pendão E toque-se um clarim. Serve-se morto.
Receta para hacer un héroe Tómese un hombre, Heho de nada, como nosotros, Y de tamaño natural. Empápese la carne, lentamente, de una certeza aguda, irracional, intensa como el odio o como el hambre. Después, próximo al fin, agítese un pendón y tóquese un clarín. Sírvase muerto.
Menina dos olhos tristes
O que tanto a faz chorar
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar
Vamos senhor pensativo
Olhe o cachimbo a apagar
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar
Senhora de olhos cansados
Porque a fatiga o tear
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar
Anda bem triste um amigo
Uma carta o fez chorar
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar
A lua que é viajante
É que nos pode informar
O soldadinho já volta
Do outro lado do mar
O soldadinho já volta
Está quase mesmo a chegar
Vem numa caixa de pinho
Desta vez o soldadinho
Nunca mais se faz ao mar
"Feiticeira", "Hechicera", es una canción del portugués Luís Represas en la que también colabora el cubano Pablo Milanés. De hecho, el disco fue grabado por Represas en Cuba y fue él quien pidió a Milanés que colaborara.
La letra está en portugués en su primera parte y en español, en la segunda, siendo además una traducción literal, por lo que es una buena ocasión para comparar los dos idiomas y comprobar su sonoridad.
Además de la canción de José Afonso, los fados de Amalia Rodrigues y alguna canción más, el tema portugués que no puedes dejar de oír es "Amar pelos dois", de Salvador Sobral.
Portugal, con una balada tierna y sentimental, gana Eurovisión 2017, concurso en que de manera infausta España queda última. El intérprete, Salvador Sobral, cantó magistralmente la canción "Amar pelos dois", compuesta por su hermana Luisa Sobral. Es una composición de jazz con una duración de 3 minutos y 5 segundos. El intérprete dice que es un homenaje al cancionero clásico estadounidense y con un toque de bossa nova a lo Caetano Veloso y que es una canción de amor triste. Salvador Sobral nació en Lisboa y tiene 27 años. Estudió Psicología, hizo un Erasmus en España, se formó en Barcelona como músico. Es vocalista y pianista.
La letra de la canción conecta con la melancolía de los fados, la canción típica de Portugal, y con la famosa saudade, la morriña o nostalgia que sienten los portugueses, así como los gallegos, sus primos hermanos.
Don Denís de Portugal (1261-1325), que fue rey del país vecino desde 1279, era además un magnífico trovador; de hecho fue el último de la lírica gallego-portuguesa. Sus cantigas de amigo y de amor se cuentan entre las más famosas de todas ellas: "¡Ay flores, ay flores do verde pino...", por ejemplo.
Aquí traemos una de las más conocidas, "Levantous'a velida", a la que ha puesto música el cantautor berciano (del Bierzo, León) Amancio Prada, a quien debemos otras magníficas musicalizaciones de clásicos de la literatura hispánica (el Cántico espiritual de San Juan de la Cruz, los poemas de Rosalía de Castro...)